Botox Nefertiti

O que é, como age no contorno do rosto e por que redefine a mandíbula sem cirurgia.

O mecanismo muscular por trás da queda do terço inferior, como a toxina botulínica reverte esse processo, o que os estudos clínicos publicados realmente documentam e quem são os candidatos que mais se beneficiam.

NESTE ARTIGO

01  Por que a mandíbula perde definição com a idade

02  O que é o Botox Nefertiti e de onde vem o nome

03  Os músculos-alvo: quem puxa o rosto para baixo

04  Como a toxina botulínica age nesse equilíbrio muscular

05  O que os estudos clínicos publicados mostram

06  Candidatos ideais: quem se beneficia mais

07  Nefertiti versus outras abordagens: quando cada uma se aplica

08  O procedimento na prática: o que esperar

09  Perguntas frequentes

O Botox Nefertiti é uma técnica de aplicação de toxina botulínica no terço inferior do rosto que redefine o contorno da mandíbula sem cirurgia — ao agir diretamente sobre os músculos responsáveis pela tração descendente da pele. Este artigo explica o mecanismo de ação, o que a evidência científica documentou em estudos clínicos e quem são os candidatos que mais se beneficiam do procedimento.

1. Por que a mandíbula perde definição com a idade

A perda de definição da mandíbula não tem uma causa única — é o resultado de pelo menos quatro processos simultâneos que se reforçam mutuamente ao longo do tempo. Entender esse mecanismo é o ponto de partida para compreender por que o Botox Nefertiti funciona e por que seu efeito é mais expressivo em determinados perfis de paciente do que em outros.

O primeiro processo é a reabsorção óssea. Estudos de tomografia computadorizada comparativa entre crânios de adultos jovens e idosos demonstram que o ângulo mandibular se altera progressivamente — há perda de volume ósseo na região inferior da mandíbula, especialmente na área pré-jowl, que enfraquece o suporte estrutural dos tecidos moles sobrejacentes.¹

O segundo processo é a redistribuição e ptose dos compartimentos de gordura. Os septos fibrosos que mantêm esses compartimentos em posição perdem resistência mecânica com a idade, e a gordura migra inferiormente — em direção à mandíbula e ao pescoço. A gordura submandibular aumenta em volume relativo enquanto os compartimentos superiores se atrofiam.²

O terceiro processo é a perda de espessura e elasticidade cutânea. A degradação progressiva de colágeno e elastina reduz a capacidade da pele de resistir às forças de tração gravitacional e muscular — amplificando o efeito visual dos dois processos anteriores.³

O QUARTO PROCESSO — E O MAIS RELEVANTE PARA O NEFERTITI
A hiperatividade dos músculos depressores. Com o envelhecimento, o equilíbrio entre músculos elevadores e depressores do terço inferior é progressivamente comprometido. O platisma — músculo em lâmina que recobre todo o pescoço e se estende até o terço inferior do rosto — desenvolve hiperatividade compensatória e aumenta a tração descendente sobre a pele da mandíbula, do ângulo da boca e das bochechas. Esse vetor de força descendente é o alvo específico do protocolo Nefertiti.⁴

A literatura científica é clara: a queda do terço inferior resulta da ação combinada de gravidade, perda óssea, redistribuição de gordura e desequilíbrio muscular. O Nefertiti atua especificamente sobre o componente muscular — o que explica tanto sua eficácia quanto suas limitações dentro de cada perfil clínico.¹˒²

PARA ENTENDER COM CLAREZA
Pense no terço inferior do rosto como uma estrutura mantida por dois grupos de forças opostas: os músculos elevadores puxam para cima, os depressores puxam para baixo. Em um rosto jovem, esse equilíbrio favorece a sustentação. Com o tempo, os depressores ganham vantagem mecânica — e o contorno mandibular começa a ceder. O Botox Nefertiti reduz a força dos depressores, restabelecendo parcialmente esse equilíbrio sem cirurgia, sem cortes e sem recuperação.

2. O que é o Botox Nefertiti e de onde vem o nome

O Nefertiti lift é uma técnica de aplicação de toxina botulínica tipo A no terço inferior do rosto e no pescoço, com o objetivo de redefinir o contorno mandibular e suavizar as cordas musculares cervicais por meio do reequilíbrio das forças musculares — sem cirurgia, sem cortes e sem período de recuperação.

A técnica foi descrita formalmente pelo dermatologista Patrick Levy em 2007, em publicação no Journal of Cosmetic and Laser Therapy, com base em experiência com 130 pacientes.⁵ O nome é uma referência à rainha egípcia Nefertiti (século XIV a.C.), celebrada historicamente pelo pescoço alongado e pelo contorno mandibular preciso — características que o busto esculpido pelo artista Tutmés, hoje no Neues Museum de Berlim, imortalizou como padrão estético atemporal.

O QUE O PROCEDIMENTO NÃO É
O Nefertiti lift não é uma cirurgia, não envolve anestesia geral, não requer internação e não produz o mesmo grau de transformação de uma ritidoplastia (cirurgia de lifting facial). É uma abordagem minimamente invasiva que atua sobre o componente muscular do envelhecimento do terço inferior — com resultados que a literatura classifica como sutis e naturais, e que a maioria dos pacientes descreve como “mais jovem, mas ainda eu mesma”.

“O Nefertiti lift é uma alternativa minimamente invasiva e eficaz para pacientes que buscam uma forma de adiar ou evitar procedimentos mais invasivos — com alta satisfação e baixo índice de efeitos adversos.”
— Levy PM · Journal of Cosmetic and Laser Therapy, 2007

3. Os músculos-alvo: quem puxa o rosto para baixo

O protocolo Nefertiti não é uma aplicação genérica de toxina botulínica na região do pescoço — é a abordagem sistematizada de um conjunto específico de músculos depressores, com posicionamento anatômico preciso. Compreender quais são esses músculos e o que cada um faz é o que diferencia um resultado natural e harmonioso de um resultado comprometido.⁴˒⁶

PlatismaPLATYSMAMúsculo em lâmina larga e fina que recobre toda a região anterior do pescoço, originando-se na fáscia do peitoral e deltóide e inserindo-se no terço inferior do rosto. É o principal depressor da mandíbula e das estruturas periorais — e o músculo central do protocolo Nefertiti. Com a hiperatividade, forma as cordas verticais visíveis no pescoço e traciona ativamente a pele da mandíbula para baixo.
Depressor do Ângulo da BocaDEPRESSOR ANGULI ORIS (DAO)Músculo triangular que traciona o ângulo da boca inferiormente, contribuindo para o aspecto de comissura labial caída e para o aprofundamento dos sulcos marionete. Sua hiperatividade é responsável pela expressão facial involuntária de tristeza em repouso — um dos sinais de envelhecimento do terço inferior que mais impactam a percepção subjetiva de idade.
MentalisMUSCULUS MENTALISMúsculo par localizado no mento, responsável pela protrusão do lábio inferior e pela movimentação do queixo. Sua hiperatividade gera o aspecto de casca de laranja no mento (dimpling), aprofunda o sulco mentolabial e contribui para a instabilidade do contorno inferior do rosto. Frequentemente tratado em conjunto no protocolo Nefertiti ampliado.
Depressor do Lábio InferiorDEPRESSOR LABII INFERIORIS (DLI)Músculo que traciona o lábio inferior para baixo e lateralmente. Sua contribuição para a descida do contorno inferior é menor que a do DAO e do platisma, mas relevante nos protocolos de harmonização completa do terço inferior. O tratamento deste músculo exige precisão técnica para não comprometer a simetria do sorriso.
O QUE A ANATOMIA PUBLICADA ESTABELECE
Estudos de dissecção cadavérica e mapeamento por ultrassonografia de alta resolução demonstram que o platisma é o músculo de maior área de influência sobre o contorno mandibular — estendendo-se em 85% dos indivíduos até a região submentoniana, e em 43% das pessoas com fibras que cruzam a linha mediana por mais de 20mm abaixo da borda mandibular.⁶ Essa variabilidade anatômica é a razão pela qual o mapeamento individualizado produz resultados superiores a protocolos padronizados de ponto-fixo.

4. Como a toxina botulínica age nesse equilíbrio muscular

A toxina botulínica tipo A bloqueia temporariamente a transmissão neuromuscular na junção entre o nervo motor e a fibra muscular — ao inibir a liberação de acetilcolina, o neurotransmissor responsável pela contração muscular. Sem o sinal químico, o músculo-alvo perde gradualmente o tonus e a capacidade de exercer tração sobre os tecidos sobrejacentes.⁷

No contexto do Nefertiti lift, o efeito não é simplesmente o relaxamento de um músculo isolado — é o reequilíbrio do sistema de forças opostas que atuam sobre o terço inferior do rosto. Ao reduzir a tração descendente do platisma e dos depressores periorais, o tratamento permite que os músculos elevadores — que mantêm seu tonus intacto — exerçam efeito relativo maior sobre o contorno facial.⁴˒⁵

O mecanismo de “mini lifting” sem cirurgia

A expressão “mini lifting” frequentemente utilizada na comunicação clínica sobre o Nefertiti tem base anatômica precisa: o que ocorre não é um reposicionamento mecânico dos tecidos como numa cirurgia de lifting, mas um reequilíbrio das forças que determinam a posição natural da pele na região mandibular. Com menos força para baixo, a pele ocupa uma posição ligeiramente mais superior — o que o olho percebe como lifting, mesmo sem nenhuma estrutura ter sido cirurgicamente reposicionada.⁵˒⁸

UMA ANALOGIA PARA ENTENDER
Imagine uma corda sendo puxada por dois times em direções opostas. Se o time que puxa para baixo for enfraquecido, o time que puxa para cima passa a ter vantagem — e a corda se move na direção contrária, mesmo sem que o time de cima tenha feito mais força. É exatamente isso que acontece com os tecidos da mandíbula após o Nefertiti: os depressores são modulados, os elevadores permanecem ativos, e o contorno do rosto responde a esse novo equilíbrio de forças.

Onset, pico de efeito e duração

A toxina botulínica não age imediatamente. O processo de inibição da junção neuromuscular ocorre em fases: os primeiros sinais de relaxamento muscular são perceptíveis entre 3 e 5 dias após a aplicação, o pico de efeito é atingido entre 10 e 14 dias, e o resultado completo se estabiliza ao redor de duas semanas pós-procedimento.⁷ A duração clínica documentada na literatura para o platisma e os músculos depressores periorais é de 3 a 6 meses — consistente com outros territórios de aplicação de toxina botulínica no terço inferior do rosto.⁵˒⁹

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5. O que os estudos clínicos publicados mostram

O Nefertiti lift acumula, desde 2007, uma base de evidências crescente na literatura científica indexada. A seguir estão os dados dos principais estudos disponíveis — sem omitir as limitações metodológicas que cada um carrega, porque essa honestidade é o que permite avaliar o procedimento com realismo e expectativas calibradas.

130Pacientes no estudo original de Levy (2007)J Cosmet Laser Ther, 200796,6%Satisfação no ensaio clínico de Jabbour et al. (2017)Plast Reconstr Surg, 201793,3%Avaliaram o resultado como “melhorado” — investigadores e pacientesJabbour et al., 2017
88,4%Observaram melhora na aparência do pescoçoKassir et al., J Cosmet Dermatol, 20233–6 mDuração média do resultado documentada na literaturaConsenso bibliográfico10–14 diasAté o pico do efeito clínico completoYi et al., Toxins, 2022

O ensaio clínico de Jabbour et al. (2017): o padrão mais rigoroso disponível

O estudo de Jabbour et al., publicado em 2017 no Plastic and Reconstructive Surgery, é o único ensaio clínico prospectivo dedicado exclusivamente ao Nefertiti lift com metodologia robusta até o momento.⁹ Trinta pacientes receberam dose média de 124,9 unidades de toxina botulínica distribuídas ao longo da borda inferior da mandíbula e nas cordas do platisma.

Com escalas fotonuméricas validadas, os resultados documentaram melhora estatisticamente significativa das cordas do platisma em repouso e em contração máxima. Para jowls, sulcos marionete e comissuras labiais, houve tendência de melhora que não atingiu significância estatística — dado importante: esses componentes respondem com magnitude variável dependendo do grau de predominância muscular versus outras causas da queda.⁹

O QUE O DADO DE 96,6% DE SATISFAÇÃO REALMENTE SIGNIFICA
Alta satisfação do paciente não equivale necessariamente a grande magnitude de melhora objetiva. O percentual de 96,6% no estudo de Jabbour reflete que os pacientes, quando informados de que o procedimento produz melhora sutil e natural, avaliam o resultado positivamente — mesmo que a melhora objetiva nas escalas fotográficas seja moderada. A expectativa calibrada é, portanto, parte constitutiva do resultado clínico.⁹

Nefertiti isolado versus combinado

A revisão publicada por Kassir et al. em 2023 no Journal of Cosmetic Dermatology consolidou evidências de múltiplos estudos sobre toxina botulínica no terço inferior e no pescoço.¹⁰ Uma das conclusões centrais: o Nefertiti lift produz resultados mais robustos quando associado a outras modalidades — particularmente em pacientes com componente misto de lassidão muscular e perda de qualidade cutânea. A combinação com dispositivos de contração dérmica (radiofrequência, ultrassom microfocado) ou com bioestimuladores de colágeno amplifica a magnitude do resultado final.

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6. Candidatos ideais: quem se beneficia mais

A seleção de candidatos é o fator que mais influencia o resultado do Nefertiti lift — mais do que a dose, o produto utilizado ou a técnica específica do injetor. O estudo de Jabbour et al. identificou que os pacientes que mais melhoram são exatamente aqueles nos quais o componente muscular é predominante em relação à lassidão cutânea e à perda de suporte estrutural.⁹

PERFIL COM MELHOR RESPOSTA30 a 55 anos com sinais iniciais a moderados de queda do terço inferiorHiperação visível do platisma — cordas musculares cervicais aparentes em repouso ou em movimentoComissuras labiais caídas por ação predominantemente muscular do DAOLassidão mandibular leve a moderada com elasticidade cutânea preservadaPaciente que deseja resultado sutil e natural, não transformação dramáticaQuem busca adiar procedimentos cirúrgicos com manutenção de qualidade estéticaLIMITAÇÕES DO PROCEDIMENTOLassidão cutânea severa com grande excesso de pele — componente muscular insuficienteJowls proeminentes com base predominantemente gordurosa, não muscularExpectativa de resultado equivalente a cirurgia de lifting facialPerda óssea mandibular significativa sem reposição volumétrica associadaHipoatividade muscular já presente — risco de hipercorreção com disfagia
COMO AVALIAR SE VOCÊ TEM O PERFIL INDICADO
Uma forma simples: observe o contorno da sua mandíbula enquanto sorri amplamente ou move o pescoço. Se perceber que as cordas musculares ficam aparentes, se os ângulos da boca caem visualmente durante movimentos expressivos, ou se a mandíbula parece mais definida em certas posições — isso indica componente muscular ativo que o Nefertiti pode modular. A avaliação clínica presencial com profissional habilitado é, no entanto, sempre insubstituível.

7. Nefertiti versus outras abordagens: quando cada uma se aplica

O Nefertiti lift existe dentro de um contexto mais amplo de abordagens para o terço inferior — e cada modalidade tem indicações, mecanismos e resultados distintos. Conhecer essas diferenças é o que permite ao paciente fazer perguntas mais precisas na consulta e entender por que um profissional competente pode recomendar combinações estratégicas em vez de uma única técnica isolada.

ABORDAGEMMECANISMOINDICAÇÃO PRINCIPALLIMITAÇÃO
Botox NefertitiReequilíbrio muscular — redução da tração descendente dos depressoresLassidão muscular do terço inferior, cordas do platisma, comissuras caídas por ação muscularNão adiciona volume, não corrige lassidão cutânea severa, temporário (3–6 meses)
Preenchedor mandibular (AH)Adição de volume — cria projeção óssea virtual ao longo da mandíbulaPerda de projeção mandibular, ausência de ângulo gonial definido, indefinição do contorno lateralNão corrige a tração muscular, não trata as cordas do pescoço
Botox no masseterRedução de volume muscular — atrofia controlada do masseter hipertróficoMandíbula larga por hipertrofia do masseter, bruxismo estéticoNão trata a queda anterior, não corrige comissuras nem platisma
Bioestimuladores (PLLA, CaHA)Neocolagênese — estímulo à produção de colágeno novo no tecido dérmicoLassidão cutânea difusa, melhora de qualidade de pele, potencialização de outros tratamentosResultado gradual (meses), não age nos músculos nem adiciona volume estrutural
Dispositivos de energia (RF, HIFU)Contração dérmica e neocolagênese por termoestimulaçãoLassidão cutânea leve a moderada, potencialização pós-NefertitiResultado variável, múltiplas sessões necessárias, não age nos músculos
Cirurgia (lifting facial)Reposicionamento mecânico de tecidos, ressecção de excesso cutâneoLassidão severa, grande excesso de pele, demanda de resultado duradouro e de alta magnitudeCirurgia com anestesia, recuperação prolongada, custo elevado, não reversível
Em muitos casos, a combinação estratégica de mais de uma abordagem produz resultados superiores a qualquer técnica isolada. A seleção da combinação ideal é função da avaliação clínica individualizada.

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8. O procedimento na prática: o que esperar

O Nefertiti lift é realizado em consultório, sem anestesia geral e sem necessidade de preparo especial. O procedimento completo, incluindo avaliação, mapeamento muscular e aplicação, dura tipicamente entre 20 e 40 minutos. A agulha utilizada é de calibre muito fino — idêntica à utilizada em outros protocolos de toxina botulínica facial.

Antes do procedimento

Pacientes em uso de anticoagulantes ou anti-inflamatórios devem informar o profissional previamente — esses medicamentos aumentam o risco de hematoma nos pontos de aplicação. Grávidas, lactantes e pessoas com doenças neuromusculares (miastenia gravis, síndrome de Eaton-Lambert) não são candidatas ao procedimento.¹¹

Durante e imediatamente após

As aplicações produzem desconforto mínimo — comparável a qualquer outra aplicação de toxina botulínica no rosto. Pode haver eritema e edema pontual nos sítios de injeção, que se resolve em poucas horas. A maioria dos pacientes retorna às atividades normais no mesmo dia.

Orientações pós-procedimento

  • Evitar exercício físico intenso nas primeiras 24 horas
  • Não massagear nem pressionar a região tratada nas primeiras 24 horas
  • Manter posição vertical por pelo menos 4 horas após o procedimento
  • Retornar para avaliação em 14 dias — momento do pico do efeito e eventual retoque de precisão
⚠  Sinais que requerem contato imediato com o profissional
Dificuldade para engolir, alteração na voz, assimetria acentuada do sorriso ou fraqueza muscular que persista além de 48 horas são sinais que requerem contato imediato com o profissional responsável pelo procedimento. São eventos raros na literatura — mas que o paciente informado deve conhecer para agir com rapidez quando necessário.⁴

Manutenção e longevidade do resultado

A literatura documenta que pacientes submetidos a manutenções regulares dentro da janela de 3 a 6 meses tendem a desenvolver, ao longo do tempo, atrofia adaptativa progressiva dos músculos tratados — o que pode ampliar gradualmente o intervalo entre sessões. Esse fenômeno é observado em outros territórios de toxina botulínica e representa um dos argumentos favoráveis ao início precoce do tratamento preventivo, antes que as alterações musculares se tornem estruturalmente arraigadas.⁸˒¹¹

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9. Perguntas frequentes

O que é o Botox Nefertiti?

O Botox Nefertiti — também chamado de Nefertiti lift — é uma técnica de aplicação de toxina botulínica no terço inferior do rosto e no pescoço, com o objetivo de redefinir o contorno da mandíbula e suavizar as cordas musculares do pescoço sem cirurgia. A técnica foi descrita pelo dermatologista Patrick Levy em 2007 e recebe o nome da rainha egípcia Nefertiti, celebrada pelo pescoço alongado e pelo contorno mandibular preciso.⁵

Como o Nefertiti lift age na mandíbula?

O mecanismo é de reequilíbrio muscular: o platisma e os músculos depressores do terço inferior exercem tração contínua para baixo sobre a pele e os tecidos moles da mandíbula. A toxina botulínica reduz temporariamente essa tração descendente, permitindo que os músculos elevadores — que permanecem com tonus preservado — exerçam efeito mais eficaz. O resultado é um reposicionamento sutil mas perceptível do contorno mandibular, sem adição de volume.⁴

Quanto tempo dura o resultado?

A literatura clínica documenta duração média de 3 a 6 meses, consistente com outros protocolos de toxina botulínica. Fatores como metabolismo individual, atividade muscular basal, técnica do injetor e dose aplicada influenciam a duração. Manutenções periódicas dentro dessa janela mantêm o resultado de forma contínua — e podem, ao longo do tempo, ampliar o intervalo entre sessões.⁵˒⁹

Quem é o candidato ideal ao Nefertiti lift?

O perfil de melhor resposta são pacientes entre 30 e 55 anos com hiperação dos músculos depressores do terço inferior, lassidão leve a moderada da mandíbula, cordas musculares visíveis no pescoço e elasticidade de pele preservada. O estudo de Jabbour et al. (2017) identificou que pacientes com hiperatividade muscular predominante e boa elasticidade cutânea obtêm os melhores desfechos.⁹

O Botox Nefertiti tem downtime?

Não. O procedimento é realizado em consultório, sem anestesia geral, e não exige período de recuperação. Pode haver vermelhidão ou edema discreto nos pontos de aplicação, que se resolve em poucas horas. A maioria dos pacientes retorna às atividades normais no mesmo dia.

Qual a diferença entre Nefertiti lift e preenchedor de mandíbula?

São mecanismos completamente distintos. O Nefertiti lift atua por relaxamento muscular — reduz a tração descendente dos depressores, permitindo que o contorno mandibular reposicione-se pelo reequilíbrio de forças. O preenchedor de ácido hialurônico na mandíbula adiciona volume para criar projeção óssea virtual. Em muitos casos, as duas estratégias são complementares e podem ser combinadas no mesmo protocolo de harmonização do terço inferior.

O Nefertiti lift pode ser combinado com outros procedimentos?

Sim — e as combinações frequentemente potencializam os resultados individuais de cada técnica. As associações mais estudadas incluem: toxina botulínica no masseter para redução volumétrica posterior, preenchedores no mento e ângulo mandibular para projeção estrutural, bioestimuladores de colágeno para melhora da qualidade cutânea, e dispositivos de energia como radiofrequência e ultrassom microfocado para contração dérmica complementar.¹⁰

Dentistas podem realizar o Nefertiti lift no Brasil?

Sim. O Conselho Federal de Odontologia reconhece a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica pela Resolução CFO-198/2019, autorizando cirurgiões-dentistas habilitados a aplicarem toxina botulínica na região orofacial — incluindo os músculos do terço inferior abordados no protocolo Nefertiti. A habilitação específica e a formação em anatomia facial são os critérios determinantes para a segurança e a qualidade do resultado.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2.  Rohrich RJ, Pessa JE. The fat compartments of the face: anatomy and clinical implications for cosmetic surgery. Plast Reconstr Surg. 2007;119(7):2219–2227.

3.  Quatresooz P et al. Skin aging and the dermal collagen fiber network. G Ital Dermatol Venereol. 2012;147(3):311–315.

4.  Yi KH, Lee JH, Hu HW, Kim HJ. Anatomical proposal for botulinum neurotoxin injection targeting the platysma muscle for treating platysmal band and jawline lifting: a review. Toxins (Basel). 2022;14(12):868.

5.  Levy PM. The ‘Nefertiti lift’: a new technique for specific re-contouring of the jawline. J Cosmet Laser Ther. 2007;9(4):249–252.

6.  Yi KH et al. Anatomical proposal for botulinum neurotoxin injection targeting depressor anguli oris for treating drooping mouth corner. Anat Cell Biol. 2023;56(2):161–165.

7.  Nigam PK, Nigam A. Botulinum toxin. Indian J Dermatol. 2010;55(1):8–14.

8.  Levy PM. Neurotoxins: current concepts in cosmetic use on the face and neck — jawline contouring/platysma bands/necklace lines. Plast Reconstr Surg. 2015;136(5 Suppl):80S–83S.

9.  Jabbour SF, Awaida CJ, Kechichian EG, Nasr MW. Botulinum toxin for neck rejuvenation: assessing efficacy and redefining patient selection. Plast Reconstr Surg. 2017;140(1):9e–17e.

10.  Kassir M et al. Botulinium toxin applications in the lower face and neck: a comprehensive review. J Cosmet Dermatol. 2023;22(12):3224–3237.

11.  Dressler D, Adib Saberi F. Botulinum toxin: mechanisms of action. Eur Neurol. 2005;53(1):3–9.

12.  de Almeida ART, Romiti A, Carruthers JDA. The facial platysma and its underappreciated role in lower face dynamics and contour. Dermatol Surg. 2017;43(8):1042–1049.

13.  Carruthers J, Carruthers A. Aesthetic botulinum A toxin in the mid and lower face and neck. Dermatol Surg. 2003;29(5):468–476.

14.  Wu WT. Microbotox of the lower face and neck: evolution of a personal technique and its clinical effects. Plast Reconstr Surg. 2015;136(5 Suppl):92S–100S.

15.  Shore JW, Lee JI. Anatomical guidelines and technical tips for neck aesthetics with botulinum toxin. Arch Plast Surg. 2024;51(5):489–497.

16.  Yi KH. Optimizing botulinum toxin injections in the platysma muscle based on motor nerve distribution. J Cosmet Dermatol. 2025;24(7):e70590.

17.  Meretsky CR et al. A systematic review and comparative analysis of botox treatment in aesthetic and therapeutic applications. Cureus. 2024;16(9):e68820.

18.  Fernandes RL. BTXA/Prosigne and redefinition of the mandibular contour (Nefertiti lift): academic review. Mathews Open Access. 2024.

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Dra Vitória Ariella

Cirurgiã-dentista especialista em Harmonização Facial, pós-graduada em Odontologia Estética e  Docente em Pós-Graduações e Cursos Livres.

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